A MULHER E A LOGÍSTICA DA POBREZA - Parte 3 (FINAL)


Neste último post, onde fizemos uma cobertura especial sobre as grandes reflexões conferidas por Graça Costa em sua fala de abertura durante a 3ª Conferência Municipal de Mulheres de Quixadá, é importante dizer que a mulher sempre viveu num mundo machista e preconceituoso de supremacia masculina, com liberdade restrita e direitos anulados. Dentro do contexto histórico, a cultura druída despertou uma veneração particular pela mulher durante a Idade Média. Naquela época, o culto à mulher foi transportado a uma concepção de natureza superior à criação terrestre e material. O poder gerador de vida, a relação de fertilidade e fecundidade era demonstrada pela associação entre poderosas divindades femininas e os rios. Quanto maior a extensão do rio, mais poderosa a deusa a ele vinculada.



No mundo ocidental, com o passar dos séculos, a mulher começou sua luta para libertar-se da submissão. No decorrer da história, verifica-se sua participação nas diversas lutas, com o objetivo de garantir o reconhecimento a sua identidade. Nesse processo, grandes vitórias foram conquistadas, particularmente nos séculos XX e XXI.

A mulher brasileira sempre foi uma lutadora pela conquista da igualdade com o homem, por vezes, no anonimato e outras vezes, participando de passeatas, fundando movimentos. Levando-se em consideração a lenta e penosa evolução das leis no que diz respeito à mulher e, por outro lado, constatando-se que, apesar das vitórias conquistadas, ainda são grandes as dificuldades enfrentadas pela mulher em nosso país, podemos acreditar que, num futuro próximo, a justiça reinará e a mulher brasileira alcançará o papel que lhe cabe na sociedade ?


Uma passagem importante da história política da mulher brasileira é a luta pelo voto feminino, direito este somente conquistado em 24/02/1932. Outro fato a salientar foi o movimento das mulheres contra o Código Civil de 1917, no qual a mulher casada era considerada incapaz do ponto de vista civil, o que só foi modificado em 1962, com a Lei 4.121, através da aprovação do Estatuto Civil da Mulher que equiparou os direitos dos cônjuges.

Apesar das leis civis, constitucionais e trabalhistas serem voltadas para a proteção dos direitos da mulher, podemos perceber na prática que, apesar de todo este aparato legal, a mulher ainda não conseguiu ver os seus direitos plenamente respeitados. As barreiras culturais têm-se mostrado mais fortes do que as leis criadas para elevar a mulher a sua real posição de igualdade intelectual, civil, trabalhista e ao pleno exercício da cidadania.

Em que níveis essa CIDADANIA para as MULHERES, especialmente, para as TRABALHADORAS, precisa ser traduzido? Graça Costa historiou a experiência existosa de Quixadá bem como apontou caminhos para a continuidade dessa busca pela CIDADANIA PLENA PARA AS MULHERES.







Ao final de sua conferência, Graça Costa sintetizou sua mensagem às companheiras afirmando que "Assim, como em tempos de carnaval, nos grandes desfiles por este país, temos os cinturões de proteção em torno dos foliões e das folias, queremos que essa alegria protegida na avenida seja uma metáfora possível e viável da de promoção em torno da mulher. Que a alegria de proteger nos corredores dos desfiles carnavalescos seja uma símile da alegria de promover a mulher pelas avenidas da Economia Solidária, pelas passarelas da Educação inclusiva e de qualidade, pelas praças da Saúde da Trabalhadora e pelas ruas das atitudes governamentais nos termos da promoção da Equidade de Gênero e Remuneração para de fato darmos mais um passo no processo de correção das injustiças históricas praticadas contra as mulheres."










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