EXTRA! EXTRA! ATENÇÃO: AS MULHERES CONQUISTAM MAIS UM GRANDE DIREITO!



Não, não foi de repente mas através de um processo histórico profundamente COMBATIVO que as mulheres do mundo inteiro e, especialmente as brasileiras, CONQUISTATAM UM GRANDE DIREITO: o de simplesmente ser tratada como MULHER!

Senhoras e Senhores, assim como diz o artista popular Falcão "homem é homem, menino é menino" E MULHER, ora pois, é MULHER!

Ao assistirmos uma palestra, ao lermos algum livro ou panfleto e ao acessar alguns sites, podemos constatar a conquista das mulheres no que tange ao PODER DA LÍNGUA.

Ouvimos com prazer alguns oradores e oradoras se referirem em seus discursos ao homens e às mulheres de forma específica. Não vale mais dizer que "os brasileiros são as pessoas mais alegres do mundo". O DIREITO CONQUISTADO NA RAÇA POR ELAS manda que digamos "OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS SÃO AS PESSOAS MAIS FELIZES DO MUNDO".

E esse tratamento diferenciado (troco "diferenciado" por "politicamente correto") também deve se estender à escrita diária: médicos E MÉDICAS... professor E PROFESSORA... servidor E SERVIDORA!

Tem gente que diz que isso é uma bobagem, que o gênero masculino é "neutro" e serve para qualificar a tudo e a todos e todas de uma só vez. Neutra, a língua? JAMAIS! Cada palavra proferida por cada um e cada uma de nós É UM DISCURSO BEM ENGENDRADO!

NÃO ESTÁ CONVENCIDO/A COMPANHEIRO/A? Pois muito bem! Para lhe convencer de vez sobre COMO TRATAR BEM, LINGUISTICAMENTE, UMA MULHER, deixemos que o Dr. em Linguística da Universidade de Brasília Marcos Bagno, NOS EDUQUE NESSE TEMA:
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Presidenta, sim! Por Marcos Bagno

Se uma mulher e seu cachorro estão atravessando a rua e um motorista embriagado atinge essa senhora e seu cão, o que vamos encontrar no noticiário é o seguinte: “Mulher e cachorro são atropelados por motorista bêbado”. Não é impressionante? Basta um cachorro para fazer sumir a especificidade feminina de uma mulher e jogá-la dentro da forma supostamente “neutra” do masculino. Se alguém tem um filho e oito filhas, vai dizer que tem nove filhos. Quer dizer que a língua é machista? Não, a língua não é machista, porque a língua não existe: o que existe são falantes da língua, gente de carne e osso que determina os destinos do idioma. E como os destinos do idioma, e da sociedade, têm sido determinados desde a pré-história pelos homens, não admira que a marca desse predomínio masculino tenha sido inscrustada na gramática das línguas.

Somente no século XX as mulheres puderam começar a lutar por seus direitos e a exigir, inclusive, que fossem adotadas formas novas em diferentes línguas para acabar com a discriminação multimilenar. Em francês, as profissões, que sempre tiveram forma exclusivamente masculina, passaram a ter seu correspondente feminino, principalmente no francês do Canadá, país incomparavelmente mais democrático e moderno do que a França. Em muitas sociedades desapareceu a distinção entre “senhorita” e “senhora”, já que nunca houve forma específica para o homem não casado, como se o casamento fosse o destino único e possível para todas as mulheres. É claro que isso não aconteceu em todo o mundo, e muitos judeus continuam hoje em dia a rezar a oração que diz “obrigado, Senhor, por eu não ter nascido mulher”.

Agora que temos uma mulher na presidência da República, e não o tucano com cara de vampiro que se tornou o apóstolo da direita mais conservadora, vemos que o Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada. Mas o que faz a nossa “grande imprensa”? Por decisão própria, com raríssimas exceções, como CartaCapital, decide usar única e exclusivamente presidente. E chovem as perguntas das pessoas que têm preguiça de abrir um dicionário ou uma boa gramática: é certo ou é errado? Os dicionários e as gramáticas trazem, preto no branco, a forma presidenta. Mas ainda que não trouxessem, ela estaria perfeitamente de acordo com as regras de formação de palavras da língua.

Assim procederam os chilenos com a presidenta Bachelet, os nicaraguenses com a presidenta Violeta Chamorro, assim procedem os argentinos com a presidenta Cristina K. e os costarricenses com a presidenta Laura Chinchilla Miranda. Mas aqui no Brasil, a “grande mídia” se recusa terminantemente a reconhecer que uma mulher na presidência é um fato extraordinário e que, justamente por isso, merece ser designado por uma forma marcadamente distinta, que é presidenta. O bobo-alegre que desorienta a Folha de S.Paulo em questões de língua declarou que a forma presidenta ia causar “estranheza nos leitores”. Desde quando ele conhece a opinião de todos os leitores do jornal? E por que causaria estranheza aos leitores se aos eleitores não causou estranheza votar na presidenta?

Como diria nosso herói Macunaíma: “Ai, que preguiça…” Mas de uma coisa eu tenho sérias desconfianças: se fosse uma candidata do PSDB que tivesse sido eleita e pedisse para ser chamada de presidenta, a nossa “grande mídia” conservadora decerto não hesitaria em atender a essa solicitação. Ou quem sabe até mesmo a candidata verde por fora e azul por dentro, defensora de tantas ideias retrógradas, seria agraciada com esse obséquio se o pedisse. Estranheza? Nenhuma, diante do que essa mesma imprensa fez durante a campanha. É a exasperação da mídia, umbilicalmente ligada às camadas dominantes, que tenta, nem que seja por um simples -e no lugar de um -a, continuar sua torpe missão de desinformação e distorção da opinião púb
lica.

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