Reflexões Pré-Ato Unificado do Dia Internacional da Mulher



08 DE MARÇO   8H   PRAÇA DA CATEDRAL DE QUIXADÁ

De acordo com a CUT, as mulheres são 51% da população brasileira. Constituem, aproximadamente, 46% do mercado de trabalho e são responsáveis pelo sustento de um terço das famílias no Brasil. Todavia, elas também são as mais atingidas pelo desemprego, pela precarização do trabalho, têm presença expressiva no segmento informal e desprotegido do mercado de trabalho e vivem de forma ainda mais grave a pobreza. Entre as que estão inseridas no mercado de trabalho formal, se concentram nos postos de trabalho menos qualificados, nas funções de menor prestígio social e com menor remuneração.

Mesmo com o grande crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho, o aumento de sua importância econômica (também na responsabilidade pelo sustento da família) e o seu destaque profissional em vários setores, a sociedade brasileira ainda revela fortes traços do modelo patriarcal. Não são raras as situações de discriminação e de opressão às mulheres, como a violência, inclusive doméstica, além do assédio sexual e do assédio moral no local de trabalho.

A esfera do trabalho, ao mesmo tempo em que reflete valores sociais que atribuem um papel secundário às mulheres, contribui para a reprodução desses valores, o que pode ser observado através da divisão sexual do trabalho, da segmentação ocupacional, das barreiras ao acesso, à permanência e à promoção no emprego, das menores possibilidades de acesso à qualificação profissional e de ascensão aos postos mais elevados nas empresas. No que se refere às trabalhadoras rurais, a exploração e a discriminação se revelam também na falta de acesso à posse da terra – mesmo quando esta é garantida na lei.

Uma das conseqüências da situação de fato na divisão sexual do trabalho é que as mulheres trabalhadoras continuam sendo as principais responsáveis pela esfera doméstica, o que reafirma a persistência da dupla jornada e da sua quase exclusiva responsabilidade no cuidado dos filhos(as), idosos(as) e doentes. É preciso encarar o desafio de que o conceito de trabalho seja ampliado, abrangendo também o trabalho reprodutivo e reconhecendo o trabalho doméstico como trabalho.

A compreensão de que as mudanças no trabalho e a pobreza afetam de forma diferenciada as mulheres, de que a precarização as tem atingido de forma ainda mais aguda e de que o atual padrão de acumulação utiliza-se da divisão sexual do trabalho e das relações de gênero gera um forte debate e influencia a formulação de políticas sindicais e públicas dirigidas à promoção da igualdade e à ampliação dos direitos sociais das mulheres.

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Janeiro Branco