Diga Não à Ruptura Democrática


Um dos muitos significados que tem as manifestações que tem se espalhado pelo Brasil é o de que estamos diante de uma tentativa de ruptura com os princípios históricos da Democracia. 

A grande mídia descompromissada com a vida republicana tentou tornar essas manifestações em laboratório fascista para um golpe ao Estado Democrático de Direito.

O sentimento patriota pareceu muitas vezes dissociado da matiz que o caracteriza que é o senso de Democracia. Como é possível falar de um Brasil mais democrático sem, por exemplo, a vivência de um dos instrumentos fazedores dessa República que é o sistema político?

As manifestações vistas e revistas foram dimensionadas pela grande mídia que não perdeu tempo em alimentar o ódio aos partidos políticos e aos políticos, revelando-se nisso a prepotência midiática com clara intenção de desconstruir o projeto popular.

Enquanto víamos explodir as manifestações algumas perguntas nos inquietavam: o que querem esses jovens? Qual o foco de suas reivindicações? Por quem foram liderados para estarem nas ruas protestando? Quem os tem convocado para tais reivindicações?

Primeiro mito a ser desfeito é o de que essas manifestações são um "fenômeno", ou seja, a grande mídia oportunista repetia isso a todo instante como um autômato de que nunca antes na História do Brasil isso havia acontecido. Bem, não precisamos ir longe, pois, se olharmos a História recente do Brasil, podemos ver, só para citar, dois grandes exemplos: Marcha das Margaridas e a Marcha da Classe Trabalhadora organizada pela CUT Nacional. Como vemos, não há gigante nenhum acordando AGORA.

Curioso notar que em pesquisa divulgada hoje, o IBGE, revela que 96% dos manifestantes não são filiados a partidos políticos. E 86% dos manifestantes entrevistados não são filiados a sindicatos.

Esses dados revelam que temos muito trabalho pela frente: essas mobilizações que se organizam fortemente pelas redes sociais carecem de uma identidade que privilegie ideais republicanos e princípios democráticos e necessitam urgentemente de uma identidade classista.

Somente canalizando essa força jovem política que se apresenta para um ideal socialista com o cerne democrático é que estaremos fortalecendo a nossa própria História com vistas a manutenção desse patrimônio de todo o povo brasileiro: a Democracia. 

Romper com esse instrumento de constituição da nossa identidade nacional seria o mesmo que se desconstruir quando a palavra de ordem é a do avanço na consolidação do Estado Democrático de Direito. 

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Janeiro Branco