Ao passo que o Ramo dos Municipais, representados legitimamente pela CONFETAM/CUT, se organiza numa trajetória de expansão difícil e de enraizamento da entidade confederativa, dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento sobre o Índice do Desenvolvimento Humano nos municípios do Brasil revelam que houve avanços mas o ideal para a vida municipal é um enorme desafio com muitas vísceras históricas expostas, tanto do ponto de vista macroestrutural como em nível de organização da Classe Trabalhadora.

A CONFETAM/CUT presente em 17 estados do Brasil tem a responsabilidade de unificar os desafios próprios de um contingente de 6 milhões de servidores(as) públicos(as). Essa multidão enfrenta um caminho dual de gigantescas sendas para serem trilhadas: por um lado, precisa lidar no seu dia a dia com inúmeros problemas oriundos do processo de desenvolvimento urbano; de outro lado, esses servidores precisam se organizar em seus sindicatos para construírem sua identidade de trabalhador ameaçada pelas práticas usurpadoras dos direitos que vem tentando indesejada estadia no país. 

Lidar com o bônus do crescimento pode ser muito perigoso quando se cristaliza o processo desenvolvimentista sem a ciência de que no mesmo trajeto nos encontramos também, por vezes, com o ônus do caminho desbravado.

O desenvolvimento humano em cada município brasileiro não poderá estar jamais dissociado da inteireza da integridade que deve ser dispensada à Classe Trabalhadora. As transformações nos municípios são a expressão do nível, sobretudo, do oferecimento de serviços públicos de qualidade. O Brasil avançou quando seu IDH aumentou em quase 50%. E isso vem se dando na qualidade de vida em que o acesso aos serviços públicos vem sendo oportunizado.

Na construção de um país melhor em termos de desenvolvimento dos municípios, a participação dos(as) servidores(as) públicos(as) municipais se destaca por sua inegável contribuição. Muitos são os problemas e desafios enfrentados pela Sociedade. São dilemas que se instauram em diversas abrangências, isto é, o enfrentamento da realidade de desigualdade social requer a superação de muitos déficits urbanos: problemas de saneamento ambiental e ainda a falta de acesso a terra urbanizada e regularizada, estimando-se em 12 milhões o número de domicílios sem regularização no território brasileiro, juntamente com o poder público, no contínuo processo de construção de uma política urbana que efetivamente represente os anseios e as necessidades da população.

Para a CONFETAM/CUT, o país cresceu muito e continua seu processo de avanço no que tange à política econômica mas a pobreza municipal ainda é um dos grandes entraves à consolidação da qualidade de vida que os serviços públicos podem e devem proporcionar. É nessa ambiência que deve-se estar atento à fragmentação de programas e ações existentes em todas as esferas do país com o objetivo claro de que os municípios sejam realmente contemplados com melhoria nas condições urbanas da população e, a longo prazo, com a construção de um modelo mais democrático de município.

A CONFETAM/CUT, através da Rede de Federações e Sindicatos Municipais de servidores(as) públicos(as) vem exercendo um importante papel na atual conjuntura. Além de sua efetiva participação nas mobilizações nacionais, a CONFETAM/CUT tem ampliado e fortalecido sua intervenção no âmbito municipal de maneira propositiva e mobilizadora. 

A tarefa da CONFETAM/CUT, devendo-se configurar uma ação externa deve ser a de, urgentemente, impulsionar através da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público Municipal, uma Agenda de articulações políticas no Congresso Nacional visando a uma vida decente para os municípios brasileiros.

Na outra ponta do mesmo caminho a percorrer, numa ação interna, a CONFETAM/CUT deve se tornar cada vez mais audaciosa para atingir sua meta de se enraizar em cada município do Brasil, tornando-se, visivelmente, pela história institucional e pela agenda de lutas para o país, a Entidade dos(as) Servidores(as) Públicos(as) Municipais do Brasil propositora de ações interventivas e qualificadoras com uma capacidade exclusiva de protagonizar a UNIDADE e a DECÊNCIA do Ramo dos Municipais. E cada município, além de laboratório das lutas em ebulição, também será o território das conquistas. 

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Janeiro Branco