CONVERSAÇÕES SINDICAIS com EVÂNGELA OLIVEIRA: "o termômetro da Sociedade que queremos é medido pela Comunicação que precisamos"



O Conversações Sindicais tem a participação da Secretária de Imprensa e Comunicação do SINDSEP de Quixadá e Região Evângela Oliveira. Ela é professora municipal de Quixadá, Pedagoga pela Universidade Estadual do Ceará e Pós-Graduanda em Psicopedagogia Institucional e Clínico. Estar em seu primeiro mandato à frente da pasta de comunicação de um Sindicato que tem sua gênese num momento emblemático da História do Brasil, em 1989, um ano após a promulgação da Constituição Federativa do Brasil. A Sindicalista fala sobre o engajamento da entidade na luta pela Democratização da Comunicação no Brasil, esboça elementos eficazes de participação Social e chama a atenção da militância para se apoderar da Comunicação como um Direito previsto na Constituição do Brasil. 

CONVERSAÇÕES: O que tem a ver participação do cidadão e da cidadã na Comunicação Social com a construção da Sociedade desejada pelos trabalhadores e trabalhadoras?

EVÂNGELA: Foi Herbert de Souza, o saudoso Betinho, que disse que "o termômetro que mede a Democracia na Sociedade é o mesmo que mede a participação dos cidadãos e cidadãs na Comunicação." Eu acrescento aqui o caráter "social." Não estamos falando de comunicação como um mero uso de instrumentos midiáticos. O que nos interessa é a Comunicação Social como um Direito que é respaldado pela nossa Constituição. É esse reconhecimento de um direito que a CUT e os Sindicatos filiados estão falando nesses tempos de debate pela democratização da Comunicação.
EVÂNGELA OLIVEIRA

CONVERSAÇÕES: E o que é essa campanha pela Democratização da Comunicação?

EVÂNGELA: Veja bem: segundo uma pesquisa sobre Poder e Meios de Comunicação, 63% dos entrevistados acham que emissoras de rádio/TV não deveriam ser propriedade de políticos, e 64% são contrários que apresentadores de rádio e TV possam se candidatar, embora a maioria acredite que isso é permitido pela legislação eleitoral. Ao mesmo tempo, 69% consideram que ser dono de TV ou rádio dá mais chances para que o candidato seja eleito, e 67% são contrários à candidatura de donos de emissoras de rádio e TV, mas 48% acham que isso é permitido. Com esses dados fica muitíssimo claro que o povo brasileiro quer sim uma Comunicação democratizada. Sem a democratização da comunicação, não haverá a democratização da sociedade. Esse lema reflete o sentido da existência da maior organização social voltada para a comunicação, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC. É com esse objetivo que diversas organizações, ONGs, sindicatos, partidos e pessoas se articulam, discutem e deliberam propostas voltadas para ampliar o acesso aos meios de comunicação em nosso país.

CONVERSAÇÕES: o SINDSEP é a favor do Marco Regulatório para a Comunicação do Brasil? Isso não é uma volta à censura.

EVÂNGELA: Censura? Jamais. Não podemos confundir esse ato nefasto de atacar à liberdade de expressão com regulação da mídia. Regular não é censurar mas estabelecer mecanismos igualitários para as relações midiáticas no Brasil. O SINDSEP de Quixadá e Região é um sindicato CUTista e como tal sabe da importância que tem a Democratização da Comunicação. Por isso, o sindicato está se preparando para a disputa de ideias numa Sociedade que ainda precisa aprender a viver com os construtos da Democracia conquistada.

CONVERSAÇÕES: Deve ser por isso que a CUT está realizando um curso de formação em comunicação? 

EVÂNGELA: Se rememorarmos a cronologia de lutas da CUT Nacional veremos que a Central e seus sindicatos filiados tem uma longa tradição de combate a toda forma de cerceamento da livre expressão. Assim como os poderoso conglomerados da mídia no Brasil querem ditar comportamentos e disseminar a ideologia neoliberal, a CUT também se prepara para construir uma nova Sociedade em que pese os direitos e as conquistas da Classe Trabalhadora. Defendemos um projeto popular. Nós precisamos colocar nossas estruturas midiáticas a serviço desse projeto. E o SINDSEP de Quixadá e Região através da CONFETAM/CUT está participando do primeiro curso de Formação de Formadores em Comunicação, em parceria com a USP (Universidade de São Paulo).

CONVERSAÇÕES: como o SINDSEP de Quixadá e Região encara sua ação comunicativa?

EVÂNGELA: Bem, para a Secretaria de Imprensa e Comunicação do SINDSEP de Quixadá e Região, o grau de democracia existente em uma sociedade pode ser medido de várias formas. Pelo funcionamento independente de suas instituições, pela existência de partidos políticos e eleições regulares, pela garantia de exercício dos direitos do cidadão, pela liberdade de expressão e de pensamento e muitas outras. Para muita gente, é o número de grupos que controlam as fontes de informação e os meios de comunicação e o papel que estes veículos e pessoas exercem sobre a política, a economia e a cultura de um País ou, mesmo, de uma cidade. Quanto maior for a concentração nas mãos de poucos, menor será a democracia para todos. Em Quixadá, Ibaretama, Banabuiu, Choró e Ibicuitinga temos levantado a bandeira de uma comunicação livre.

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