ARTIGO Professora Vilani - Dia da Consciência Negra

É MAIS QUE UMA “CONSCIÊNCIA” NEGRA, É UMA QUESTÃO DE RECONHECIMENTO DA NOSSA PRÓPRIA IDENTIDADE COMO NAÇÃO
Por PROFESSORA VILANI
Mulher, Negra, Presidenta da CONFETAM/CUT


Onde você guarda o seu racismo? Esse é um tipo de indagação que deve ser banida de todos os nossos discursos. Não devemos guardar racismo em lugar algum. O racismo deve ser extirpado. 

Devemos guardar sim o RESPEITO sempre e sempre por todas as diferenças e, hoje, chamando a atenção, para especialmente, o RESPEITO A UM POVO NEGRO!


Como professora que sou, verifico que até alguns anos atrás, os livros nos contavam acerca da História do Brasil que, em 1695, senhores de advindos de São Paulo e militares de Pernambuco invadiram o Quilombo dos Palmares, no alto da Serra da Barriga, atualmente Alagoas, onde viviam pacificamente mais de 30 mil pessoas, negras, índias e brancas, em uma sociedade livre e mais igualitária. 

Tais aprendizes de selvageria, invasores não de territórios geográficos apenas mas de territórios identitários, com respaldo da sociedade e da Igreja romana, mataram milhares de homens, mulheres e crianças. 

Um homem, negro, o líder Zumbi dos Palmares, traído por um igual de raça mas traiçoeiro de sua identidade, escolheu entregar-se aos inimigos para evitar um massacre maior de seu povo. 

No dia 20 de novembro de 1965, foi fuzilado e teve seu corpo esquartejado em uma praça do Recife. Até hoje, na comunidade de Muquém, em Alagoas, sobrevivem do artesanato de argila descendentes de alguns sobreviventes do massacre.

Lá se foram 300 anos e hoje, as comunidades negras e os quilombos são exemplos de resistência cultural e social do povo negro em meio ao conjunto da Sociedade brasileira, ainda injusta e discriminadora.

Diante dos dados do último Censo, somos um país formado de 51% de pessoas com Raça Negra em sua identidade cultural.

Se pensarmos que o Brasil é chamado de “país continental”, podemos entender que somos um país que no auto maltratamos. Nos insurgimos contra a nossa própria identidade como Povo, como Nação.

O estrago que nos revelam as estatísticas é ainda mais abissal quando constatamos que 70,8% dos extremamente pobres no Brasil são da população negra. E isso num país em que a economia possui um caminho crescente. 

Aonde está o problema então? Por que ainda não conseguimos consolidar uma consciência negra em cada brasileiro e brasileira? 

A resposta é simples mas não é “simplória”. É uma questão muito mais de assunção de uma identidade histórica, de um reconhecimento da raiz na qual nos forjamos como nação.

As respostas a essa demanda histórica na busca pela valorização e cidadania da Raça Negra vem de pelo menos três caminhos.

O primeiro diz respeito à própria Sociedade brasileira. As instituições educacionais e culturais do país são cada vez mais promotoras de um debate que nos remeta a uma reconstituição da nossa História e para além de conhecer os constitutivos identitários devemos nos “reconhecer” nesse construto que nos afirma, nos promove, nos absorve e nos lança como herdeiros da beleza da Raça Negra. É uma herança que temos mas que por muitos preconceitos construídos nas “velhas consciências” não conseguimos NOS SENTIR A PARTIR DE UMA CONSCIÊNCIA NEGRA.

Já o Governo Federal, sob o comando do Presidente Lula e agora da Presidenta Dilma, são os responsáveis por pautar a cidadania do negro e da negra como uma Política de Estado. 

Criada pela Medida Provisória n° 111, de 21 de março de 2003, convertida na Lei 10.678, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Essa Secretaria é resultado do reconhecimento das lutas históricas do Movimento Negro brasileiro. 

E o Governo Dilma tem feito a sua tarefa quando chama a Sociedade para o debate na formulação, coordenação e articulação de políticas e diretrizes para a promoção da igualdade racial; coordenação e avaliação das políticas públicas afirmativas de promoção da igualdade e da proteção dos direitos de indivíduos e grupos étnicos, com ênfase na população negra, afetados por discriminação racial e demais formas de intolerância bem como na articulação, promoção e acompanhamento da execução dos programas de cooperação com organismos nacionais e internacionais, públicos e privados, voltados à implementação da promoção da igualdade racial.

E por último, apontamos como terceiro instrumento de busca pela promoção da cidadania da Raça Negra, o Movimento Sindical do Brasil. 

A CONFETAM/CUT vem ao longo de sua história de organização dos trabalhadores e trabalhadoras do Serviço Público Municipal do Brasil, sendo ao mesmo que uma ponte entre as demandas da Sociedade (na qual a Classe Trabalhadora está inserida) e as Políticas Públicas do Governo Lula e Dilma também a entidade se apresenta como uma propositora de ações afirmativas na promoção da Igualdade Racial, com ênfase no respeito à Raça Negra.

Nossa tarefa no cotidiano sindical pauta aspectos como dimensão de gênero, raça, etnia, pessoas com deficiência e combate a discriminação. Estes segmentos e dimensões da vida dos/as trabalhadores/as impulsionam a pauta da igualdade de oportunidades no seio da luta e organização sindical de nosso ramo dos municipais, nos exigindo uma pauta específica de luta e novo posicionamento metodológico de trabalho sindical. 

A CONFETAM/CUT tem orientado aos sindicatos filiados que criem em suas estruturas administrativo-organizacionais a Secretaria de Igualdade Racial e o resultado tem sido muito satisfatório. É mais um passo super importante na busca da consolidação da Cidadania da Raça Negra e isso partido da Classe Trabalhadora.

Daí a importância e a urgência em se erradicar todas as formas de discriminação, baseadas em gênero, RAÇA, cor, etnia, idade, nacionalidade, religião, sexualidade e demais critérios. A eliminação e o combate a todas as formas de discriminação são medidas fundamentais para que possa ser garantido o pleno exercício dos direitos civis, políticos, sociais, econômicos e culturais. Vale dizer: para se assegurar o pleno exercício da cidadania, próprio dos regimes democráticos de direito. Um país que se pretende democrático não pode conviver com a discriminação e o preconceito.

Viva a Resistência dos Negros e Negras do Brasil!
Viva cada Homem e cada Mulher que privilegia no seu cotidiano guardar o respeito aos DIFERENTES, sabendo que é esse reconhecimento que nos faz IGUAIS!



FONTE: www.confetam.org.br

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