EDITORIAL: DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO - qual é o papel da Imprensa Sindical no Engajamento desse debate?


Longe de ser um modismo de discurso, a efervescência do tema sobre a Democratização da Comunicação é, para os(as) trabalhadores(as) brasileiros(as), a continuidade da luta, é um “plus” a mais na longuíssima travessia na manutenção dos direitos e na defesa da ampliação das conquistas.

Esse debate tem dois lados: de um, os empresários e políticos donos das grandes corporações midiáticas; de outro lado, os(as) trabalhadores(as). Aliás, são os trabalhadores organizados pela CUT Nacional que estão qualificando o debate. 

Isso vem acontecendo a começar por chamar a atenção da Sociedade de que na Constituição Brasileira existe entre outros direitos o “direito à Comunicação”. Nunca que os donos da mídia se prestariam ao serviço de conscientizar o povo de que assim como Saúde e Educação, temos também direito à Comunicação.

Mais que acesso igualitário aos meios midiáticos o que os trabalhadores querem é a reconstrução do sentido democrático e libertador do ato de comunicar como uma possibilidade de reaberturas acintosas dos diálogos com todas as instâncias da Sociedade.

É aqui que entra a grande “cereja” das discussões em torno da Democratização da Comunicação: o ato engajado da comunicação sindical. 

Hoje, no Mundo do Trabalho, na especificidade da Organização Sindical, temos a constatação positiva de que é a Comunicação Sindical que sempre fez toda a diferença na elaboração dos construtos de Democracia ao longo da História e é essa mesma Imprensa Sindical que está fazendo toda a diferença no debate que vem tomando conta do Brasil.

As maiores contribuições ao debate vem sim da Imprensa Sindical. São contribuições de alto nível que buscam frear as distorções que os donos da mídia vem defendendo. Eles não querem partilhar esse bolo. Somos nós que devemos conquistar uma dessas fatias. Não por invasão mas por direito... direito à Comunicação.

Os donos da mídia tem seus profissionais de Comunicação Social. O Movimento Sindical também os tem. Os nossos jornalistas além do acúmulo técnico e teórico que faz jus à cerne da profissão também devem somar a isso o engajamento político-sindical. 

Os jornalistas do Movimento Sindical tem o dever de elaborar um discurso que se sobreponha à técnica e que deixe muito claro que assumem “o lado dos(as) trabalhadores(as)”. Assumir aqui não é só dizer que faz parte de tal instituição mas é tornar transparente e acessível a todos e a todas o construto ideológico que interessa à Classe Trabalhadora. Nesse caso, na temática da Comunicação.

Os jornalistas do Movimento Sindical devem fazer a diferença nesse debate atual tendo em vista que a Imprensa Sindical necessita prementemente recuperar seu potencial e sua vocação nobre de instrumento leitor da realidade. E essa leitura deve, ampliar para o Mundo, as condições de intervenção das nossas bases sindicais de atuação, sintonizando-as com a busca da ampliação de sua própria consciência transformando as realidades todas em que estão inseridas.

A Imprensa Sindical necessita contribuir para fomentar a capacidade potencial do(a) trabalhador(a) em construir, com as outras forças da nossa Sociedade uma realidade em que o direito à Comunicação passe do imaginário ao reconhecimento deste instrumento como parte de seu cotidiano de lutas.

Diante do debate da Democratização da Comunicação que estamos vivenciando, principalmente, no tocante às aprovações do novo Marco Regulatório da Mídia e do Marco Civil da INTERNET, a Imprensa Sindical deve se manter nessa discussão com a sua sensibilidade político-sindical elaborada pelo peso da História e assim marcar definitivamente esse momento com a Ética da Comunicação Sindical que é fundamental para que não fiquemos num jornalismo teórico e tecnicista mas, sobretudo, que se engaje como um instrumento proficiente, utilíssimo, responsável direto pelo nível do resultado que poderá dar ao Brasil um novo status às relações sociossindicais e interpessoais a partir da vitrine do nosso jeito de fazer Comunicação e isso com um lado muito bem definido: o(a) trabalhador(a).


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