CONJUTNURA: OS DESAFIOS PARA REATIVAR O CRESCIMENTO COM INCLUSÃO SOCIAL



As eleições de 2014 permitiram a apresentação e a avaliação de experiências e projetos para o país. A recondução da presidenta Dilma Rousseff ocorreu em meio a complexas condições econômicas e políticas, que impõem grandes desafios à nação para o avanço do processo de crescimento com distribuição de renda e inclusão social.

O desempenho da economia brasileira no primeiro semestre de 2014 foi caracterizado por tendências aparentemente conflitantes.

Por um lado, a produção de bens (físicos e serviços), conforme sintetizada no indicador do Produto Interno Bruto (PIB), patinava, mas, por outro, a taxa de desemprego continuava em patamares historicamente baixos. 

Embora a queda do PIB por dois trimestres consecutivos, como ocorreu no primeiro semestre de 2014 no Brasil, seja uma referência para classificar a economia de um país como em recessão, outros indicadores apontavam em direção contrária, como os baixos índices de inadimplência e a sustentação dos níveis de consumo das famílias, além do desemprego contido. Além disso, prevê-se que, em 2014, a economia cresça, ainda que pouco, algo em torno de 0,50%.

O crescimento no Brasil no contexto internacional


Muitos analistas têm escrito sobre o baixo crescimento do Brasil, destacando que está entre os mais baixos do mundo. Essas análises comparam recorrentemente o crescimento brasileiro ao dos países emergentes e ao de outros países sul-americanos. 

De fato, o Brasil tem crescido abaixo da média dos países chamados emergentes. No entanto, quando se retira a China da análise (cujo crescimento é “um ponto fora da curva”), verifica-se que a economia brasileira cresce de forma semelhante à dos países emergentes. A Tabela 1 apresenta os países que compõem o G-20, com os respectivos crescimentos em 2013.

Quais são os desafios à frente?

Do ponto de vista sindical e trabalhista, o cenário revela-se desafiador. Os desafios envolvem equacionar questões referentes ao mercado de trabalho, à promoção do crescimento econômico (com maior investimento e crescimento da indústria de transformação), ao financiamento do Estado e ao enfrentamento do déficit das contas externas do país. 

Tudo isso aprofundando a política de melhoria da distribuição de renda. Outro desafio, de caráter mais instrumental para alcançar aqueles objetivos e para manter a inflação sob controle, diz respeito ao rebalanceamento da
taxa de juros e do câmbio (em breves palavras, os preços do dinheiro e do dólar).

A redução da participação da indústria, notadamente da indústria de transformação, na criação de riqueza é extremamente preocupante e um dos principais desafios do país. Na indústria de transformação se desenvolve conhecimento e tecnologia que ampliam a eficiência e a competitividade da economia. É nela também que, em geral, se formam trabalhadores mais qualificados e se pagam os melhores salários.


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Janeiro Branco